VIVÊNCIAS

06-09-2020

A loja de artesanato e informação turística Vivências, está mesmo no centro de Castro Daire. Partindo do Jardim Municipal, rumo ao Calvário ( a subida é compensada pelas vistas), pela Rua Dr. Pio Figueiredo, informe-se nesta loja sobre o  que vale bem a pena visitar, ver, saborear.  

Ida David dá corpo e alma a este projecto que é parte da sua missão. E sabemos nós que a  sua alma tem uma força tremenda, que permite estar e fazer acontecer onde sente que pode contribuir para algo melhor. Um Bem-haja enorme ao envolvimento que a Ida tem dado  também à cultura castrense com o apoio regular a artesãos, produtores e agentes culturais  locais  com este seu projecto,  e por toda a força que deu a CASTRO DAIRE NO CORAÇÂO provando que este projecto não tinha idade, tem apenas força e boa vontade de todos.


Como surge este negócio?

Este negócio já vem desde 2014, embora com outro nome. Decidimos dar agora este nome visto fazer sentido, uma vez que tudo o que nós fazemos é albergar neste espaço as vivências de todo este universo, do concelho de Castro Daire.

Aqui podemos, por exemplo, organizar as nossas férias?

Podemos organizar as nossas férias, fazer passeios turísticos dentro e fora da nossa região, podemos também encontrar os produtos dos artesãos locais, o artesanato genuíno e podemos encontrar produtos gastronómicos. O nosso objetivo é trabalhar para as pessoas, com as pessoas e com os produtos que nos fazem questão de chegar às mãos, para podermos promover o concelho com eles.

Há interesse em trazer pessoas para o turismo de Castro Daire, que existe e está tão esquecido, certo?

Exatamente. Esse é o nosso principal objetivo, principalmente agora, devido aos acontecimentos que ocorreram. Temos gosto em que as pessoas venham conhecer o nosso território, permanecer cá degustar o que cá temos e viverem connosco as nossas emoções, as nossas vivências.

Como é que a Ida vem parar a este negócio, a esta profissão, a este amor que me parece ser o que a define, através do olhar que me transmite?

Eu sou uma pessoa bastante emotiva e sempre gostei de trabalhar com as pessoas e para as pessoas, assim como que as pessoas trabalhassem comigo. Ao longo da minha vida nem sempre foi assim. Passei por outros trabalhos. Sou tradutora intérprete, mas nunca exerci (risos). Em 2014 surgiu esta oportunidade e eu como tenho muito gosto pelo nosso concelho e pelas nossas gentes decidi, em conjunto com o meu marido, criar isto que foi, no fundo, o culminar dos nossos sonhos, das nossas emoções.

Que coisas extrai desta profissão que abraçou e que lhe dá tanto gosto?

Trabalhar com as pessoas e ver a emoção delas quando chegam aqui ao espaço e perguntam tudo e mais alguma coisa sobre cada produto que eu aqui tenho e o facto de poder manter um diálogo - imagine que vêm pessoas do estrangeiro que adoram isto - que é a valorização daquilo que talvez nunca tenha valorizado anteriormente. Tudo isto é muito bom, para além do aspeto económico.

Falamos em economia. Como estava o negócio antes do estado de pandemia e como é que está agora?

Antes da pandemia ia ser um ano em cheio. Foi muito bom até à pandemia, tanto em nível de passeios como em vendas aqui na loja. Tenho também a vertente do alojamento que foi igualmente boa. Este ano ia ser muito bom e já começa a dar agora um salto. Eu tinha sete grupos que vinham, devido a uma parceria com uma empresa do Porto que me enviava grupos de 50 pessoas. Com esses grupos fazemos uma visita ao Centro de Interpretação do Montemuro e Paiva e depois fazemos aqui na loja - ou lá no Centro de Interpretação, uma vez que o espaço aqui é pequeno - uma degustação de bolo podre e do licor de carqueja - de produção mesmo nossa - que é o produto que mais destacamos aqui na nossa loja.

É também uma forma das pessoas também levarem um pouco da essência das nossas terras, não é?

As pessoas adoram, sentam-se, falam, provam, querem levar e é isso que faz sentido, para além de que não é só aqui na loja, uma vez que depois andam a passear pela vila. Mais tarde acabam por regressar para permanecer, sendo que alguns marcam mesmo férias por cá.

Quanto à dinamização do negócio, como será esta fase agora, pós-COVID? Disse que se estava a preparar um grande ano, mas acabou por ficar tudo mais parado. Como é que será a reorganização?

Foi tudo cancelado. Agora vamos vivendo devagarinho. Estou convencida de que isto vai melhorar bastante, embora nunca fique igual. Na parte do alojamento, contudo, está a notar-se uma procura bastante grande. A nível dos produtos, temos de nos reinventar. Estamos a criar uma loja online para a própria empresa.

Este negócio, sendo a realização de um sonho, poderá potenciar a sua continuidade por parte da geração seguinte, neste caso os seus filhos?

Esse é o meu problema, porque nenhum deles quer nada disto (risos). Eles só me dizem que este é o meu sonho e que me ajudam, mas não querem continuar. Só mostram interesse mesmo em ajudar-me. Ainda não sei qual será o percurso de vida deles, mas as áreas de estudo deles não têm nada a ver com isto. Um dia até poderão regressar, mas não sei. Tenho esperança que surja alguém jovem que queira dar continuidade a isto. Para mim era um gosto enorme.

Pense em três coisas que gostaria de fazer por si. O que é que não fez e gostaria de fazer por si agora?

Agora gostaria mais de desenvolver aqui o espaço, mas também queria ter mais tempo para mim. Costumo dizer que agora queria criar um momento zen na minha vida, porque passei por tanta coisa que gostava de desfrutar um bocadinho mais de mim própria. Por outro lado, ainda tenho muito para dar e queria desenvolver, para além das atividades que já tenho - turismo, as coisas aqui na loja e no alojamento - outras coisas.

Se olharmos para o mundo como um todo, o que é que mudaria?

Começaria pela camada mais jovem. Eles estão formatados para um determinado estilo de vida que eu não acho que seja o mais correto, embora agora já se começa a notar melhorias. Mudaria também o nível de educação e o convívio entre as pessoas, a valorização do próprio ser humano. Isso mudaria se pudesse. Está nas nossas mãos e nas mãos daqueles que nos governam, embora mesmo esses por vezes estejam um bocadinho desgovernados (risos).

Edição e revisão Lúcia Simões, Vanessa Duarte, Marisa Pinto, Ida David|Entrevista por Cátia Cardoso |Fotografia Ricardo Oliveira |Transcrição de Ana Cardoso