O ENXOVAL

16-07-2020

O Sr. Adélio é a prova que com visão, simpatia, positividade,  se prospera.

 A sua família, que sabemos unida, tem nele o farol e o amor que lhe conhecemos de marido, pai e avô.

Nesta conversa, apercebemo-nos da visão estratégica, dos valores familiares que sempre teve presentes nas suas decisões, e que resultaram no sucesso que lhe basta para viver a vida como a idealizou. Uma grande aventura feita de investimentos, negócios, de vida e responsabilidade comunitária e viagens com a sua companheira de sempre, a D. Isabel Monteiro, pois por de trás de um grande homem, está sempre uma grande companheira.

Sr. Adélio diga lá, como é que nasce este negócio?

Nós tínhamos a loja Euroveste, esta loja como também é minha, na altura ficou vazia, e para não estar a fazer concorrência ao mesmo produto, resolvi abrir outra loja com o Têxteis Lar, então demos-lhe o nome Enxoval, Têxteis Lar, o Enxoval.

Temos aqui um bocadinho de tudo. O que é que podemos encontrar na vossa loja?

Quase tudo o que de têxteis para o lar. Tapetes, atoalhados, edredons, lençóis, toalhas, lingerie.

O motivo para se estabelecer em Castro Daire, é porque é natural de Castro Daire, não é?

Sim, nós somos de Castro Daire, por isso a prioridade estava na nossa terra.

E o que mais cativa neste negócio? Portas abertas para o público? O que o cativa nestas vendas?

-Sim, eu gosto de lidar com o público, é coisa que nasceu comigo desde há muitos anos. Nós trabalhávamos nas feiras, depois surgiu esta oportunidade de abrir as lojas e gosto deste trabalho.

Sr. Adélio, mas este negócio parte de uma ideia sua, já disse que veio da feira o início, mas porque já tinha alguém na família que tinha este caminho, já fazia também feiras ou quando começa a entrar no mercado de trabalho, procura um trabalho, e começa neste desafio das feiras?

Não, não havia nenhum feirante na altura quando eu comecei. Aqui em Castro Daire só havia dois. Praticamente no concelho, e eu andei muito indeciso sobre o que fazer, mas a minha ideia era sempre negócio, que eu nunca gostei de ser empregado, gostei sempre mais de ser patrão. Dai, começamos então nas feiras, andamos lá bastantes anos. A gente foi governando a vida. Depois surgiu esta oportunidade de adquirir aqui estas lojas e passamos para as lojas.

Muito bem, qual é o vosso público alvo? Mulheres? Só as mulheres é que vem cá? Homens, mulheres? Vem o casal comprar para casa? Como é que funciona?

Vem muitas vezes o casal, mas a maioria são as mulheres.

As mulheres é que tem a decisão final!

Normalmente, como, isto é Têxtil-Lar, dedica-se mais para casa e são elas que sabem dar a volta melhor em casa e sabem as necessidades que têm, são as mais as mulheres que frequentam o nosso estabelecimento.

Mas depois tem aqui um bocadinho, por exemplo, de roupa interior, pijamas?

Sim, temos cuecas, pijamas, temos meias.

Também podemos observar, algumas peças para crianças, nomeadamente fraldas, cobertores?

Sim, temos toalhinhas, jogos de banho, jogos de cama, fraldas, babetes.

Um bocadinho de enxoval, no seu todo?

Sim, temos um bocadinho de tudo.

Olhando para o vosso negócio inicial a Euroveste, que continua na mão da Marisa vossa filha, o vosso negócio, foi pensado já para os filhos?

Sim, neste momento os filhos, tenho 3, e estão todos estabelecidos. Um tem a Euroveste, outro tem a TOP Móvel e outra tem os Móveis Monteiro e Silva.

Quer dizer que nesta área, por exemplo esta loja, o Sr. Adélio vê, que possa eventual ser um dos seus netos, que sei que também tem muitos, que possa querer pegar neste negócio? Acha que vai ficar na vossa geração?

Acho que sim, embora os netos comecem com os estudos a enveredar por outros caminhos e querem ir mais além nos conhecimentos e nos estudos. E não sei, é uma coisa que não posso garantir, mas gostava. Gostava que algum deles ficasse com isto, e não tardará assim tanto tempo que eu não lhes deixe ficar isto.

Já está com vontade de passar para a fase seguinte, ficar em casa, gozar a reforma?

Sim, já são muitos anos!

Eu ia perguntar precisamente isso, alguma coisa que tenha muita vontade de fazer, agora nos próximos tempos, é mesmo esse o desejo, também deixar o negócio para passar a nova geração?

Não é um desejo que tenha assim muita vontade, que eu gostava de andar cá mais algum tempo. Mas sei que nós não somos eternos, não é? E os tempos vão mudando. E eu não posso aqui ficar sempre, tem de vir outros para me substituir.

E que coisas gostaria de fazer nos próximos tempos? Sei que gosta muito de viajar! Assim coisas que gostasse de fazer por si?

Eu gosto muito de viajar, já viajamos bastante. E por vezes viajar é complicado, porque quando a gente é novo e tem saúde, a viagem sabe muito bem e é muito bonita, seja por onde for, mas quando as pernas começam a pesar mais um bocadinho, a viagem já tem de ser mais por perto... é andar por aqui numa viagenzinha de carro.

E já fica contente também em visitar a família, não é?

Claro, com certeza.

Sr. Adélio, como é que vê o mundo atual?

Olhe, vejo muito mal. Na altura que eu nasci atravessamos uma fase muito má, com muita pobreza. Fomos criados com muitas dificuldades. Depois atravessou-se uma fase muito boa, tive uma fase muito boa, onde se ganhava muito bem a vida. Tudo corria bem. E agora, com esta pandemia que surgiu, o mundo levou um tombo que não sabe como é que isto vai recuperar. Ninguém pode garantir o futuro que poderemos vir a ter.

O que é que gostaria que mudasse realmente? Em termos gerais do mundo da nossa atualidade.

Gostava que houvesse mais paz, mais harmonia, mais amizade entre as pessoas. Não houvesse invejas. Não houvesse guerras. Que é o que destrói tudo, as guerras. A guerra que estamos a atravessar é uma guerra sem armas, é uma guerra que não vemos o inimigo. Eu também andei na guerra, e andava com uma arma na mão, sabia que se o inimigo me atacasse tinha de me defender. Deste aqui, estou a defender-me com uma máscara, e não me posso defender com mais nada. E não vejo o inimigo.

Exatamente, e para concluir a nossa conversa, neste tempo de pandemia, tiveram de ficar isolados em casa, os negócios pararam. Qual é analise atual que faz do negócio? Está bem? Teve um abanão, mas vai recuperar? Estão a tomar medidas para que isso aconteça?

Teve um abanão grande. Todos os negócios. Isso é do conhecimento geral. Se vai recuperar? Eu penso que sim. Isto está a recuperar muito, muito lentamente. Nós estamos abertos há um mês e as pessoas ainda tem receio de sair. Mas isso por um lado é bom até que isto estabilize e que as pessoas possam andar mais à vontade. Sem abusos, sem excesso. A ver se entramos no caminho certo.

Ainda temos esperança?

Tenho esperança que sim.

Já são muitos anos? Quantos anos são de negócio?

São 48!

48 anos já fizemos de casados!

Uma vida, uma vida...

Edição e revisão Lúcia Simões, Vanessa Duarte, Marisa Pinto, Ida David|Entrevista por Cátia Cardoso |Fotografia Ricardo Oliveira |Transcrição de Alice Inácio