MANUEL OLIVEIRA FOTOGRAFIA

15-08-2020

Manuel Oliveira Fotografia, foi um negócio que começou numa aldeia, instalou-se depois na vila de Castro Daire, e é hoje em dia, uma das reputadas equipas de fotografia e vídeo do país e estrangeiro.  Sabemos que para isso, muito contribui a nova geração Oliveira, o Ricardo e o Zé, que procuram diariamente elevar a qualidade, desafiando-se a si próprios a fazer cada vez melhor. É a "tempera" de uma geração inspirada na força e luta da anterior, e na visão global desta arte com parâmetros de inovação tão desafiantes.  Manuel Oliveira Fotografia não vai ficar por aqui, sobre esta marca, ou outras que se seguirão, sabemos que o sucesso é o caminho, que não se abalará com o "mergulho o fundo" que foi este Verão de 2020. 


Manuel Oliveira Fotografia, como é que surge este negócio, como é que o Manuel se dedica à fotografia?

Olá, boa tarde, bom dia ou bom noite conforme a hora, o local e o sitio onde estão a ouvir, a ler (risos)...Já lá vão 27 anos a caminho de 28 ou 28 a caminho de 29, por aí! Surgiu, a história é muito complicada, de uma paixão antiga pela fotografia...enfim, em que comecei a fotografar na aldeia e depois resolvi alargar horizontes e cá estamos.

Vem parar a Castro Daire ou é aqui que nasce o negocio?

Não. Venho parar a Castro Daire por outras razões profissionais - era instrutor de condução, entretanto optei por abrir aqui a loja e vim cá parar - porque eu comecei a fotografar com uma pequenina loja na minha aldeia.

Depois vem parar aqui a Castro Daire e se pudéssemos perguntar três coisas que destacaria nesta arte e que mais gosta, quais seriam essas três coisas?

A arte - o criar; a relação com as pessoas, mais especificamente com os noivos e depois a sensação do dever cumprido quando entregamos o nosso trabalho e recebemos críticas como as que recebi há muito pouco tempo a darem-nos os parabéns porque... adoraram!

É a magia depois das imagens, não é?

Exactamente.

Este negócio, obviamente como tanto outros, teve aqui um balanço com toda esta situação. Como é que descreve a situação actual do mundo da fotografia em tempos de COVID?

Isto não teve um balanço. No Algarve, no "Slide& Splash",há uma das atracções onde a gente vai que é uma prancha, onde a gente desce...e os fotógrafos, não sou só eu mas todos e toda a industria relacionada com casamentos, foram numa prancha! Foi tudo cancelado ou remarcado e o balcão só não chega para sustentar. Portanto, isto está - como em todas as áreas - muito mau. Mas temos que olhar em frente.

Mas houve tempo para criar outras alternativas ou outros produtos que em tempos de COVID foram possíveis vender?

Tentei. Tentei porque eu na minha área, nós/a fotografia vivemos essencialmente da reportagem e portanto a partir do momento em que não há reportagem tive que reinventar-me e então o que eu comecei a fazer - e penso que resultou, embora não dê para pagar de maneira nenhuma as dividas/despesas/contas- foi imprimir fotografias (aliás que rádio limite está a publicitar), fazendo uma promoção e enviando para vários pontos do país e não só (nomeadamente, Suíça para onde enviei muitas fotografias) e isso foi o que me valeu nestes tempos.

Qual é o publico alvo? Estamos a falar de público nacional que procura Manuel Oliveira ou público internacional? Ou ambos?

Nesta reinvenção que eu fiz há portugueses, estrangeiros e de todo o lado. Em relação ao outro mercado da fotografia, em Portugal felizmente fotografamos um pouco por todo o país e muito também já no estrangeiro.

Muito bem. Estamos aqui também a falar de uma empresa que é de família ou que está criada e que já tem alicerces também ou várias vertentes que são apoiadas pela família, nomeadamente pelos filhos, é também para esse caminho que quer direccionar este negócio? Para que ele se possa manter em família?

Na vida temos de tomar opções, e as opções que os meus filhos tomaram foi, estando arrependidos ou não (risos )mas penso que não! Embora esta vida dê muito trabalho...ninguém imagina, como todas as profissões, mas desde logo não termos os fins de semana para nós, para a família é só quem não os tem é que...é como provar a laranja, só provando o sabor da laranja é que sabemos o verdadeiro sabor. Mas penso que se eles quiserem, se tiverem cabecinha, se se orientarem e penso que estão no bom caminho, graças a Deus , terão aqui os alicerces para seguir caminho porque eu já estou a ficar cansado de os aturar a eles (risos).

Uma empresa de família que ficará para a família?

Oxalá que sim! Espero bem que sim!

E agora gostaria de lhe perguntar, três coisas que quer fazer brevemente por si e/ou pelo nosso planeta?

Para mim, uma das coisas que estou a precisar urgentemente é de férias. Férias porque eu já o disse, e tu és testemunha, nós nesta fase de confinamento e do vírus acabámos por não viver o presente com medo do futuro e isso dá a volta ao cérebro a qualquer um.

Pelo planeta, eu acho que o Homem deve descer à terra e lembrar-se que o Homem pode fazer muita coisa, mas ainda não faz tudo. E lá está, algo invisível - não foi preciso canhões, não foi preciso um disparo - e parou tudo. E, portanto, o Homem tem que descer à terra e lembrar-se que temos de ser superiores e a humildade é capaz de ser uma das coisas que está a fazer falta à humanidade.

Obrigada. 

Edição e revisão Lúcia Simões, Vanessa Duarte, Marisa Pinto, Ida David|Entrevista por Cátia Cardoso |Fotografia Ricardo Oliveira |Transcrição de Daniela Ferreira