KBS.

14-11-2020

A Célia e o Alexandre, conseguiram criar em Castro Daire, um restaurante /bar que agrada a várias gerações, com uma oferta diversificada mas que traduz  no que se foram especializando.

Ao entrevistá-los percebemos que são fiéis ao que gostam, ou não fosse o Amor entre os dois, a segredo do sucesso, mesmo em tempos de Pandemia. Junta-se ao Amor a força, fé e criatividade, qualidades que já ajudaram a ultrapassar outras crises.


Como nasceu este negócio?

Este projeto nasceu com o culminar de um sonho. O Alexandre já trabalha nesta área há doze anos e eu comecei a trabalhar com ele há cinco. Chegámos à conclusão de que faltava um sítio, em Castro Daire, para as pessoas poderem conviver. Durante os últimos cinco anos procurámos um sítio e aqui estamos agora, a concretizar esse sonho e a promover o convívio entre os castrenses.

O que é que nós podemos encontrar no vosso espaço?

Aqui temos uma variedade enorme de comida e bebidas. Desde cocktails com e sem álcool até ao copo de vinho, espumantes, cervejas artesanais, ... Depois na parte da comida temos tostas, hambúrgueres, cachorros e os pickers.

Mas qual é a magia? Porque é que toda a gente quer vir aqui?

Acima de tudo, primamos pela qualidade. Nós gostamos do que fazemos e queremos todos os dias fazer melhor. Às vezes não é fácil, mas mantemos sempre esse lema. Acho que é isso que nos tem trazido o sucesso que nós estamos a ter.

Sabendo que é uma área que vos obriga, por exemplo, a abdicar de fins-de-semana e reuniões familiares e sendo vocês um casal, como é que fazem essa gestão? Porque é que apesar das condicionantes, continuam a lutar por este negócio?

Nós gostamos muito de estar com pessoas, deste convívio e de o promover. Gostamos muito do que fazemos. Inicialmente trabalhávamos mesmo a semana inteira, mas agora acabamos por tirar a segunda-feira para nós, para conseguir desanuviar um bocadinho. Apesar de gostarmos mesmo disto, dá-nos muito trabalho, então temos de descansar.

Qual é a análise que vocês fazem do negócio antes da pandemia?

Para ser sincero, Portugal estava muito bem economicamente. Estávamos finalmente a recuperar. Mesmo nós, estando ainda no primeiro ano, estávamos a ir lindamente. Agora vamos ver como corre. É uma incerteza.

O que é que vocês estão a pensar fazer para dinamizar o negócio pós-pandemia?

O nosso truque será manter sempre a qualidade. Existem também algumas surpresas que serão reveladas aos poucos. Vamos inserir novos produtos, adequados a cada altura do ano.

Sendo que esta fase de confinamento deu para refletirmos um bocadinho, pergunto-vos: O que é que gostariam de fazer por vocês?

Há tantas coisas que gostaríamos de fazer... estarmos fechados em casa veio dar uma lição de vida a muita gente, veio colocar as prioridades no sítio. Isto veio mostrar-nos que afinal temos tempo para aquilo que achávamos nunca ter tempo.

Olhando para o mundo, o que é que poderíamos mudar?

Para começar, mudar os governantes, pelo menos alguns. Não estou a falar concretamente do nosso caso, porque há outros países que têm governantes que são, numa só palavra, doidos. O resto é ir vendo, porque esta fase é uma novidade para todos. Temos de ir trabalhando com os recursos que temos.

Consideram que a COVID veio descobrir algumas lacunas que as sociedades já tinham, embora não fossem visíveis?

Sim, sem dúvida. Existem realidades completamente diferentes das nossas, que nos passam ao lado e que agora vieram à tona pelo desespero, pelo medo ou pela ansiedade.

Aqui no comércio local, há muitos negócios que passam de pais para filhos. Vocês acham que o vosso ramo permite que alguém se estabilize ou tenha uma profissão de continuidade?

Na nossa perspetiva, sim. Sabemos que no geral este ramo não permite que se crie uma família, pelo menos não dentro dos parâmetros que a sociedade considera normal, muito pelos horários que nós temos. Contudo, acreditamos que sim.

Então consideram que a vossa próxima geração vai continuar com este negócio?

Se ela vier... (risos). Alguém terá de trabalhar para sustentar os pais (risos).

Já pensaram em desistir?

Aqui não! Embora confessemos que anteriormente, sim.

Durante o confinamento, várias pessoas perguntavam quando voltariam a abrir. É sinal de que criaram uma marca, ou é sinal de que criaram uma casa onde as pessoas se sentem realmente em casa?

É um bocadinho as duas. A marca foi criada pelo trabalho, pela inovação. Já tivemos um negócio apenas noturno, depois apenas diurno, e agora surgimos com um conceito mais familiar, onde queremos promover o convívio. Temos condições para isso. Pode vir um casal ou pode vir um grupo de amigos, porque existe um ambiente agradável para estarem à vontade entre eles. É uma casa aberta dos zero aos oitenta anos (risos). Quem vem pela primeira vez, volta sempre.

Porque é que o Alexandre se emociona a falar do seu negócio?

(Silêncio) - Célia responde - São muitos anos de dedicação e efetivamente foi o sonho da vida dele. Já passou por altos e baixos, que sempre se foram resolvendo. Agora estou cá eu para lhe dar um bocadinho de força, porque às vezes ele é mais "coração mole" e é por isso que ele fica assim. Isso só demonstra que ele realmente gosta do que faz.

Edição e revisão Lúcia Simões, Ana Cardoso| Entrevista por Cátia Cardoso |Fotografia Ricardo Oliveira |Transcrição de Ana Cardoso