JFP -Jorge Fernandes Pinto, Lda

28-10-2020

Esta é uma loja de herança familiar, e de enorme relevância no tecido comercial de Castro Daire, que vai já na 3ª geração, tendo neste momento, ao leme o Professor Jorge.

É com orgulho que afirma, que para além de ser professor, mantêm a casa e o negócio, pelo prazer de ser comerciante, contatar com as pessoas e ser um bom relações públicas.

Valoriza muito, os postos de trabalho criados, que conseguiu manter em época de Pandemia, sem recurso a lay-off. Dá extrema importância aos seus funcionários, seus colaboradores (como gosta de os apelidar),que considera fundamentais na manutenção e evolução do negócio.


A loja existe, desde 1944, enquanto loja de ferragens, mas  era propriedade da família já antes, como sapataria, uma vez que o seu avó era manufator de calçado ( como gostava de ser apelidado, e não sapateiro) e onde a sua avó tinha uma tasca tradicional, coexistindo os dois negócios no mesmo edifício.

E plena 2ª guerra mundial, o avô, foi uma das pessoas que começou a comercializar minério, tanto com os ingleses, como com os alemães, "Foi um democrata!"  diz o neto,  e angariou, assim algum dinheiro, com o qual concretizou o seu sonho, que era ter uma loja de ferragens. Sonho que continuou com a sua mãe, ao longo destes anos, e "agora comigo" diz. Aliás, a mãe, apesar da idade, é sócia gerente da empresa e presença assídua na loja.


É uma loja com localização privilegiada, no centro, fica entre a Fonte dos Peixes, um local icónico desta vila ( que em 2021 fará 100 anos) " lanço um desafio ao município, para fazer algo, uma festa para assinalar a data" - disse com entusiamo». Em frente, está o coreto.

Já pensou deslocalizar a loja para outro lugar, o sentido de a ampliar, até porque também trabalharam com outros materiais ligados à construção, mas por uma questão de honrar o nome JFP, fletiu o produto que oferece e adaptou-a à sua realidade. Especializou-se na venda de ferramentas elétricas e também criou uma secção de decoração,( muito por influência, de produtos que a sua mãe já vendia ( serviços de loiça, tachos etc.) esta a cargo da colaboradora Sandra, que aí trabalha desde os seus 16 anos. Apostaram, portanto, na qualidade e em produtos diferenciados, tendo a ajuda da esposa na escolha dos produtos decorativos. Dá-lhe um prazer enorme ter montras bonitas!

Qual o vosso Público Alvo?

Dá-nos um grande gozo, ver que à semelhança dos proprietários, que passaram de geração em geração, também se nota mesmo em relação aos clientes. Notamos que na área da decoração, houve um expressivo aumento, especialmente senhoras. Recebemos, atualmente, na loja os filhos de clientes de há muitos anos, ainda da época do meu avó.

O negócio vai continuar na geração seguinte?

Desejo e tenho esperança que vá ter continuidade, aliás começo a pensar em me retirar aos poucos. Um dos meus dois filhos, embora trabalhe na área dos combustíveis, nutre um grande carinho por este espaço e pelo negócio, vindo já uma vez por semana, e mantendo uma relação muito boa com o colaborador Anselmo, que é o responsável pela parte ferramentas e ferragens.

Como viu o negócio pós- confinamento covid?

Quero deixar uma palavra de entusiasmo.

É um período algo difícil, embora a empresa seja saudável, foi um passo para as vendas online. Aproveitando as novas tecnologias, criou-se uma página e começou-se a vender pela internet. Já há muita gente a ir à nossa página, a telefonar a perguntar se temos ou quando vamos ter.

Estou convencido e muito entusiasmado que com o teletrabalho, haja a possibilidade de as pessoas virem morar para o interior, onde as casas são mais baratas e a qualidade de vida é excelente. Temos uma vilinha muito agradável e onde temos tudo.

Como publicita os seus produtos?

Criamos um site, temos facebook e fazemos várias campanhas publicitárias.

Fazendo uma reflexão, o que gostaria mudar em si, nos próximos tempos?

Quero manter a minha atividade como professor, claro, mas tenho outros projetos, nomeadamente, uma quinta de família em Viana do Castelo.

Gosto muito de construir coisas e quero ajudar os meus filhos na continuidade e dinamização dos nossos negócios.

É sócio de várias empresas da família - Bezerra Energy, Bezerra e Pereira, Jorge Fernandes Pinto, Lda, e Quinta das Candeias unipessoal Lda, todas sediadas em Castro Daire.

O que é importante é participar e não comandar, os sonhos dos nossos filhos. O meu já está realizado.

O que o incomoda no mundo atual?

O que me incomoda é a pobreza, os sem abrigo e a fome, encoberta ou não.

O que pode fazer para mudar essa realidade?

Faço o que, efetivamente, está ao meu dispor, é tentar ser para os outros o melhor possível e trabalhar com o objetivo de também ganhar dinheiro ( não digo o contrário) e não fugir aos impostos, porque esses impostos podem contribuir para uma melhor distribuição da riqueza.

Começo pela minha casa, no sentido de distribuir com os meus funcionários, aquilo que eu entendo que eles merecem e que eles concordam. É sempre, um processo negocial. Fazer com que vendamos cada vez mais, para ganhar mais dinheiro e assim podermos contribuir para o estado, nada é de graça. Se queremos ter boa saúde, boas escolas temos de contribuir e cumprir com as nossas obrigações.

O Estado somos todos nós.

É por estas razões que castro Daire é o melhor sítio para estar, viver e ter próprio negócio?

Não, se fosse apenas pela rentabilidade, não seria em Castro Daire que centralizava os negócios. É por uma grande paixão, foi aqui que sempre vivi, que criei os meus filhos, fiz a minha casa. Espero não ter que ir para um lar de 3ª idade, mas se for que seja aqui. Uma certeza, é que serei aqui sepultado.

E esta é a minha história de vida!

Edição e revisão Lúcia Simões, Vanessa Duarte, Marisa Pinto, Ida David| Entrevista por Cátia Cardoso |Fotografia Ricardo Oliveira |Transcrição de Ida David