Fátima's Modas

23-01-2021

FATIMAS MODAS

Há cerca de seis meses saímos de um confinamento difícil e estranho. Hoje já em 2021 e no segundo grande confinamento devido a esta Pandemia que vai marcar este século, a estranheza já não é a mesma, há uma certa quietude de quem passa por isto novamente, mas a dificuldade essa talvez se adense. 

Nesta entrevista à Fátima Rocha, natural de Nespereira Cinfães, gerente da loja Fátimas Modas, reconhecemos uma atitude positiva, essencial a recomeços.  Que se tome este novo confinamento como uma oportunidade de olhar para os negócios, para as necessidades dos clientes e encontrar planos B, tal como a Fátima fez. 



Como nasceu a Loja?

A loja nasceu por acaso. Há 15 anos, o meu pai decidiu dividir a empresa e eu acabei por ficar com esta loja. Depois, em conversa com uma amiga, decidimos abrir. Naquela altura vendia-se muito bem em Castro Daire, apesar de haver muitas lojas do mesmo ramo. Como a loja era muito grande e estava fora do centro da Vila, apostámos em comercializar um leque muito variado de roupas.

O que mais gosta neste ramo?

Gosto do contato direto com as pessoas, de conviver, de conversar e de ouvir, conhecem-se pessoas, criam-se laços de amizade e a partir daí fazem-se negócios.


Esta localização porquê?

Está localizada perto da Feira das Vacas, um local de referência da Vila, e também porque ficava perto do restaurante Rocha, que era do meu marido.

Numa perspetiva de dinamização dos negócios, o que acha que faz falta em Castro Daire?

Acho que faz falta indústria, trabalho para mulheres, fábricas. Isso era essencial para isto (Castro Daire) começar a andar.

Com dinamiza o seu negócio?

Tenho página do Facebook, faço vendas online, se me pedirem, claro que sim, e vendas diretas.

Que produtos podemos encontrar na Fatima`s modas?

Podem encontrar um bocadinho de tudo, desde tshirts de homem, de mulher, roupa normal do dia a dia e até vestidos de cerimónia, também alugo. Também apostei em tamanhos grandes, dada a dificuldade que por vezes existe em encontrar roupas para pessoas mais avantajadas.


Nesta fase de pandemia, teve que se reinventar? E como tem jeito para a costura...

Sim, esse foi o plano B, uma vez que devido a não existirem eventos, e as vendas de roupa terem uma grande quebra, dediquei-me ao fabrico de máscaras. Faço máscaras personalizadas e certificadas pelo Citeve, temos toda a documentação. Tenho encomendas de várias empresas, que pretendem as máscaras com os seus logotipos, os restaurantes, até gabinetes de contabilidade. Temos também em 3D e também para crianças, com os desenhos de bonecos que eles gostam. Neste momento temos muita procura. Quando abri a loja não sabia pregar um botão, mas agora até já faço vestidos (risos).


Qual o público que procura a sua loja?

Todo o tipo de clientes, visto todas as idades, porque tenho um pouquito de tudo, desde cuecas, meias, soutiens tamanhos grandes, etc. Para crianças só tenho roupas de cerimónia.

Qual o futuro do negócio? Tem alguém que lhe dê continuidade?

Não tem futuro, a minha filha e os meus filhos e noras não vão ficar por cá, aliás já estão fora do país. Não estou ver a minha filha atrás de um balcão, não é para isto que ela anda a estudar. Costumo dizer que quando eu morrer a loja vai atrás de mim.


Fátima, neste momento de confinamento, teve tempo para pensar em si, no que não fez por ti e o que quer fazer nos próximos tempos?

Neste momento de pandemia deu para refletir um pouco, o trabalho não é tudo, podemos parar a qualquer momento! A partir de agora, se me apetecer ir de férias vou e não penso duas vezes.

Como olha o mundo em geral. A sociedade está bem, é preciso mexer nesta sociedade? O que é preciso mudar?

Acho que é preciso mudar esta sociedade, devemos pensar mais nos outros, não só em nós mesmos, não apontar o dedo e ajudar. Há muita gente a passar mal. Eu tenho ajudado naquilo que posso.

Castro Daire é um bom sítio para viver?

Sim, gosto de cá, não me vejo a viver noutro lado, já cá estou há 30 e tal anos. As pessoas, de um modo geral, são boas.


Edição e revisão Lúcia Simões, Marisa Pinto| Entrevista por Cátia Cardoso |Fotografia Ricardo Oliveira |Transcrição de Ida David